quarta-feira, 9 de julho de 2008

A armadilha ambiental

Por causa de uma conversa sobre meio ambiente e moda acabei me lembrando do último desfile da Osklen no SPFW. Nele, pra quem não se lembra, os chapéus eram de couro de jacaré. E é claro isso deixou todos os jornalistas com cara de interrogação, se perguntando: será que são falsos? qual o truque? Afinal a Osklen sempre posicionou como uma empresa sustentável e defensora do meio ambiente. Mas no final, o couro não era falso e não havia nenhum truque, o que fez com que Oscar Metsavaht tivesse muita explicação para dar.

E a resposta dele foi que aqueles jacarés foram mortos porque estavam desequilibrando o meio ambiente e, já que era assim, eles seriam ou jogados fora ou poderiam alimentar famílias com sua carne e, de quebra, virar chapéus no SPFW. Vendo por esse ponto de vista, o que ele fez foi praticamente RECICLAGEM!?! Mas pera aí... o homem não é quem mais desequilibra o meio ambiente? Por esse critério era melhor ter poupado uns jacarés e feito chapéu de gente! Imaginem: o homem veste o próprio homem, uma interpretação genial e macabra de Thomas Hobbes ("o homem é o lobo do homem"). Essa última coleção pode até servir como aviso, do tipo: "Olha o que eu faço com quem desequilibra o meio ambiente....virou chapéu!"

Mas, exageros à parte, meu ponto é que a Osklen virou vítima do seu discurso. Para a marca, esse tipo de postura gera muitas limitações de materiais, porque a indústria têxtil não é uma indústria que polui pouco, além de custos e expectativas do mercado. Tudo o que você fizer, você tem que explicar. Por outro lado quem se omite, que é a maioria, fica totalmente livre da pressão. Depois do episódio com a PETA, ninguém fala nada se a Gisele usar pele. Fica um clima de: "tudo bem, ela não é consciente". Não deveria ser o contrário? Pressionar quem não faz nada e reconhecer quem faz algum esforço?



fotos do chic

Nenhum comentário: